POLÍCIA

Jovem grávida é morta à tijolada e tem bebê retirado após corte com estilete.
Acusada de cometer o crime alegou ter perdido um filho e queria ficar com a bebê da vítima.




Flávia Godinho Mafra

Os amigos e familiares da jovem Flávia Godinho Mafra, de 24 anos assassinada em Canelinha, na Grande Florianópolis, ainda tentam entender a morte dela, que chocou a cidade de 12 mil habitantes.

O corpo foi encontrado em um forno de uma cerâmica desativada na cidade. A suspeita é que uma conhecida tenha feito uma emboscada para cometer o assassinato e ficar com o bebê, já que a vítima estava grávida de quase 9 meses. Segundo a Polícia Civil, a jovem foi morta à tijolada e teve a barriga cortada por estilete. O velório ocorreu hoje (29) no Centro da cidade, onde também deve ser sepultada.

"Não estou conseguindo acreditar ainda, ninguém consegue acreditar que isso tudo aconteceu", disse Josiane da Silva, amiga da vítima. Ela foi uma das duas amigas escolhidas pela jovem e o companheiro para serem as madrinhas de primeira filha do casal.

O parto estava previsto para setembro e a jovem estava muito feliz e ansiosa com a gestação. Pedagoga, ela tinha carinho especial por crianças, segundo as amigas ouvidas pelo G1.

"A Flávia sempre gostou de crianças e adorava ser professora", disse Jeisiane Benevenute Pacheco, que conhece a jovem desde a infância e também foi escolhida para madrinha da bebê.

"Ela era ótima professora. A gente pegou afinidade quando trabalhamos na mesma creche, surgiu uma amizade enorme. Ela era uma pessoa que não via maldade", contou a amiga Josiane.

Na quinta-feira (27), a vítima desapareceu de tarde. Preocupados e sem conseguir contato com a jovem, os amigos fizeram postagens em busca dela. Na sexta-feira (28), uma mulher que conhecia a vítima foi presa suspeita de matar a gestante. O companheiro da suspeita também foi preso.

"Estávamos desesperados e decidimos procurar. Eu estava junto quando achamos ela. A gente sempre tem esperança de encontrar viva, mas no fundo sabia que algo ruim tinha acontecido", contou Josiane.

Amigos e familiares saíram às ruas em busca da jovem e contaram com apoio e orações de outros moradores, até que na manhã de sexta encontraram o corpo.

O bebê não estava com a vítima. A mulher suspeita de matá-la foi ao hospital ainda na noite de quinta-feira com o bebê dizendo que a filha era dela. Ferida, a recém-nascida foi levada para o Hospital Infantil Joana de Gusmão, na capital.

Segundo Jeisiane, a vítima e a suspeita não eram amigas, mas tinham se aproximado nas últimas semanas porque a mulher presa também estaria grávida. Em depoimento, a suspeita confessou o crime à polícia e disse que tinha perdido o seu bebê. A intenção dela era ficar com a filha da vítima.

De acordo com informações do Portal NSC, em depoimento à Polícia Civil, a mulher informou que teria matado a vítima com um golpe de tijolo na cabeça e usado um canivete para retirar o bebê do ventre da gestante. A mulher grávida saiu de casa de carona para participar de um chá de bebê surpresa. A suspeita admitiu que teria contado à vítima a história do chá de bebê para atraí-la. Ainda conforme o depoimento, ao chegar no local, ela aproveitou o momento em que a vítima estava de costas para dar um golpe com tijolo na grávida. A suspeita disse que também estava grávida, mas que perdeu o bebê e não contou para os familiares por causa da expectativa que eles criaram.

Amizade de anos

Em julho, a jovem, Josiane e Jeisiane se reuniram e foi nessa ocasião que as amigas foram convidadas para serem madrinhas. Jeisiane conhece a vítima desde criança e Josiane, há cerca de 10 anos. Nos últimos anos, os laços foram estreitados.

Além da gestação da amiga, Jeisiane e Josiane compartilharam também outros momentos importantes na vida da vítima, como o casamento em outubro de 2019. Foi Jeisiane quem pegou o buquê no casamento da amiga.

"Ela tinha esse lado de amar vender, era muito simpática, espontânea, me fazia rir. Ela era parceira, caprichosa, fazia lindos laços, aprendi muito com ela", lembrou Jeisiane, sobre o dia a dia com a amiga em sua loja antes da pandemia.

Este ano, como não tinha conseguiu vaga como professora, a vítima estava trabalhando com Jeisiane em uma loja que vende bordados, uniformes e acessórios em Canelinha. Por conta da pandemia e por ser gestante e estar com diabetes, ela estava afastada do trabalho presencial.

"Eu e a Josi fomos as primeiras a saber da gravidez. Ela tava na loja comigo e pediu pra fazer um body bordado para anunciar que era menina", lembrou a amiga Jeisiane. Até esta sexta-feira, a filha recém-nascida da vítima seguia internada.

"Quero guardar apenas lembranças boas dela e ajudar na educação da menina com meu marido, os outros dindos e a família dela", afirma Jeisiane.



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